quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sex in The Future

As previsões variam desde um mundo em que humanos e robôs conviverão bem de pertinho a um planeta parecido com o do presente - não tão high tech, mas com algumas mudanças de comportamento. Segundo o pesquisador britânico David Levy, especialista em inteligência artificial e autor do livro Love and Sex With Robots ("Amor e Sexo com Robôs", sem edição em português), o sexo entre homens e robôs deve rolar em menos de 50 anos. "Muitas pessoas solitárias não têm ninguém com quem fazer sexo a não ser que paguem por isso. Essas pessoas seriam as maiores beneficiárias do sexo com robôs", disse Levy em entrevista à ME. A intimidade com robôs é apenas um dos prognósticos para o futuro do sexo. Veja outros abaixo:

FUTUROLOGIA SEXUAL
Previsão é de clima quente no futuro, incluindo transas com robôs ou em naves espaciais

PAQUERA
Quem fez a previsão: Estudos da Universidade Emory, nos EUA

Boa notícia para os tímidos: no futuro, a paquera pode ser facilitada por poções do amor à base de hormônios encontrados em alguns mamíferos. A oxitocina, liberada no parto, estimula o cérebro a adotar comportamentos carinhosos e a vasopressina está relacionada à fidelidade. Se os cientistas conseguirem sintetizá-las, o vidrinho do amor poderá ser vendido em uma farmácia perto de você

HOMOSSEXUALIDADE
Quem fez a previsão: Umberto Veronesi, oncologista e ex-ministro da Saúde da Itália

A disseminação de métodos de reprodução artificial fará com que, no futuro, o sexo seja apenas recreativo, e não voltado a fazer bebês. Por isso, segundo Veronesi, a humanidade caminha para a bissexualidade. Como fariam sexo só por prazer, homens e mulheres não teriam por que transar apenas com o sexo oposto. Por que não experimentar com os dois gêneros de uma vez?

REPRODUÇÃO ARTIFICIAL
Quem fez a previsão: Severino Antinori afirma já ter clonado humanos

Depois da ovelha Dolly, clonada em 1996, vários mamíferos - nossos parentes mais próximos - já foram clonados. O cachorro Snuppy, em 2005, os lobos Snuwolf e Snuwolffy, em 2007, além de camundongos, porcos, bois... Em 2002, o embriologista italiano Severino Antinori chegou a anunciar um clone humano, mas não apresentou provas. Apesar do debate ético em torno do assunto, os primeiros clones humanos logo devem surgir

CIÊNCIA
Quem fez a previsão: Instituto Alemão de Consultoria para Camisinhas

A camisinha continuará sendo usada para prevenir doenças. Mas, em vez de emborrachar seu melhor amigo, no futuro pode ser que você apenas passe um spray nele! Na Alemanha, pesquisadores estão
desenvolvendo latas de spray (em tamanho P, M e G) em que o homem coloca o pênis e, após cinco segundos, sai com ele coberto com uma camada quase invisível e pronto para ação

ROBÔS
Quem fez a previsão: David Levy, especialista em inteligência artificial

Falta muito pouco para a indústria de robôs com aparência humana chegar a modelos que façam sexo. Robôs de silicone como as Honey Dolls japonesas ou os do site Realdoll já gemem quando acariciadas, reconhecem formas através de softwares e câmeras nos olhos... O que a robótica ainda precisa melhorar são os movimentos das pernas e a variedade de emoções que os robôs expressam

SEXO VIRTUAL
Quem fez a previsão: Pesquisadores da Universidade de Ottawa, Canadá

A webcam você já conhece. No futuro, podem existir maneiras de transmitir sensações táteis sincronizadas com dados audiovisuais. Isso tem até nome: tecnologia háptica. Duas pessoas distantes usariam espécies de luvas, ou, para o corpo inteiro, macacões. A webcam perceberia o movimento feito por uma pessoa e transmitiria para a luva do interlocutor distante o movimento feito, fazendo-a vibrar, por exemplo. Daí para carícias mais íntimas...

SEXO NO ESPAÇO
Quem fez a previsão: Pierre Kohler, jornalista francês

O turismo espacial já é uma realidade. No futuro, os casais poderão passar a lua-de-mel no espaço - que romântico uma noite de amor com a Terra ao fundo... O problema é que, sem gravidade, os amantes vão ter que estudar bem os movimentos. Segundo Pierre Kohler, a Nasa (agência espacial americana) teria até feito estudos sobre o assunto, indicando as melhores posições para transar no espaço - em seis delas, os pombinhos necessitariam da ajuda de uma cinta elástica na cintura. A Nasa nega as informações

ANTICONCEPCIONAIS
Quem fez a previsão: Regine Sitruk-Ware, endocrinologista reprodutiva e diretora do Population Council’s Center for Biomedical Research

A pílula feminina hoje é feita a partir de hormônios, causando efeitos colaterais. Os estudos sobre genoma podem ajudar a descobrir, por exemplo, as proteínas que agem na fusão entre espermatozoide e óvulo. A pílula desabilitaria essas substâncias, impedindo assim a concepção sem mexer no ciclo menstrual.

Pequena Enciclopédia Narcótica

A maconha, a cocaína e o LSD estão hoje no centro do crime organizado. Mas já foram recomendados por médicos e considerados sinônimo de elegância

Há 21 anos, o pesqueiro panamenho Solana Star, perseguido pela Polícia Federal, despejou 22 toneladas de maconha no litoral brasileiro. Durante meses, as praias do Sul e Sudeste foram invadidas por gente que pescava enlouquecidamente um exemplar que fosse da droga, acondicionada em latas de alumínio. Assim como no período conhecido como "verão da lata", os primeiros carregamentos de Cannabis chegaram ao Brasil por mar. Embarcadas em caravelas portuguesas, em 1549, as mudas foram trazidas por escravos e marinheiros apresentados a elas na Índia. Agora, um século após o primeiro acordo internacional contra drogas, um encontro da ONU, em Viena, vai rever a lista de substâncias proibidas em todo o mundo.

A maconha faz parte. Mas nem sempre foi assim. No Brasil do século 16, fumava-se o bangue. Esse cânhamo, subproduto da planta, servia para fazer tecidos de velas, um mercado aquecido na era das navegações e que despertou o interesse da coroa portuguesa pela Cannabis. E os colonos trataram de espalhar sementes da erva por todo o território. Em 1785, o vice-rei Luiz de Vasconcellos e Souza enviou a São Paulo um ofício (com 16 sacas de sementes e um manual de cultivo), pedindo encarecidamente aos agricultores que plantassem maconha. No século 19, ela vira remédio, como se vê na propaganda mais antiga de maconha, feita pela Grimault e Cia., de Paris, em 1885 (ao lado). Encontrada pelo pesquisador Guido Fonseca, apregoava efeitos terapêuticos dos cigarros índios, à base de Cannabis indica, uma variedade da erva.

Cachimbo de pobre
O uso entre ex-escravos estigmatizou o hábito entre os brancos

Com a abolição da escravidão, em 1888, os negros ganharam autonomia, mas continuaram a sofrer com desqualificação social. A capoeira foi proibida no ano seguinte à Lei Áurea, e, em 1890, o governo da República criou a Seção de Entorpecentes Tóxicos e Mistificação, para impedir o denominado "baixo espiritismo". Ou seja, o uso da maconha em rituais de origem africana, como o candomblé. À medida que se enraizava nas tradições populares, entre ex-escravos, índios e repentistas do Nordeste, aumentava a repressão ao consumo. A primeira lei restritiva é de 1830, quando a "venda e o uso do pito de pango" (cachimbo de barro para maconha) foram proibidos no Rio de Janeiro - três dias de cadeia para o negro que pitasse. Textos de cunho racista, de 1916, passaram a defender a tese de que a Cannabis levava negros e nordestinos ao crime. Um dos propagadores dessa teoria foi o médico Rodrigues Dória: "Um indivíduo já propenso ao crime, pelo efeito exercido pela droga, privado de inibições e de controle normal, com o juízo deformado, leva à prática seus projetos criminosos". Vários médicos com ideias de pureza racial temiam que o uso da maconha contaminasse os cidadãos brancos. Assim, a partir de 1917, a receita médica passou a ser obrigatória para comprar a Cannabis. E, em 1932, ela entrou na lista de substâncias proscritas. O Estado Novo de Getúlio Vargas institucionalizou a repressão e estabeleceu pena de prisão para os usuários. O governo também negociou com os fiéis do candomblé a retirada da maconha dos cultos, em troca da legalização da religião.

Pó de rico
Ele veio com a modernização, na busca louca pela euforia

Bem menos popular, a cocaína também passou de remédio à posição de droga criminalizada e antissocial, embora se saiba que o pó circula hoje ferozmente pela classe média brasileira. Ela surgiu como analgésico e começou a ser consumida no Brasil em meados dos anos de 1910. Laboratórios como o Grimault indicavam o vinho de coca para "pessoas fracas" e "jovens pálidas e delicadas". Há registros de consumo da folha de coca de mais de 1200 anos na América do Sul. E seu chá era vendido no século 19 na Europa e na América do Norte. Mas seu princípio ativo, a cocaína, só foi isolado em 1860, pelo químico alemão Albert Niemann. E, em pouco tempo, revelou efeitos colaterais, como arritmias cardíacas, problemas respiratórios e neurológicos. Por isso, lei de 1882 exigiu, no Brasil, receita médica na compra de pó. Mas o século 20 disseminou o consumo, recomendado até pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud. Em 1914, o jornal O Estado de S. Paulo advertia: "Há hoje em nossa cidade muitos filhos de família, cujo grande prazer é tomar cocaína e deixar-se arrastar até aos declives mais perigosos deste vício. Quando atentam... é tarde demais para um recuo". Três anos depois, o Código Sanitário determinou o fechamento das farmácias (que eram, com os bordéis, os maiores distribuidores da droga) que vendessem cocaína sem receita. Para a pesquisadora Beatriz Rezende, organizadora do livro Cocaína: Literatura e Outros Companheiros de Ilusão, o Brasil respirava os ares da Primeira República, e "o entusiasmo pela modernização vai fazer com que a ideia de decadência de costumes frequentemente ligada ao ópio e ao haxixe seja substituída pela ambição da euforia encontrada no éter e na cocaína". Era usada por poetas e outras artistas. Na crônica A Favela (1922), Orestes Barbosa escreveu que, nos morros cariocas, traficantes vendiam a droga "malhada" (misturada a outras substâncias). E no samba A Cocaína (1923), de Sinhô, surgem sinais de alerta: "Mais que a flor purpurina é o vício arrogante de tomar cocaína. Quando estou cabisbaixa chorando sentida, bem entristecida, é que o vício da vida deixa a alma perdida. Sou capaz de roubar, mesmo estrangular, para o vício afogar." Até que, em 1938, decreto-lei proibiu nacionalmente a cocaína, mesmo para fins médicos.

O dia da bicicleta
Os anos 60 e 70 viveram o desbunde psicodélico e o fortalecimento do tráfico

Nos anos 60, o movimento hippie e a contracultura deram às drogas status de experiência libertária. Acaba o estigma da maconha como "droga de pobre" e o LSD (dietilamina do ácido lisérgico) entra na moda. Ele foi sintetizado a partir de um fungo do centeio em 1938, pelo suíço Albert Hofmann, nos laboratórios Sandoz. Mas só em 1943 o cientista descobriu seus efeitos psicoativos, ao absorver na pele uma pequena quantidade da substância. Foi no dia 19 de abril, conhecido como o "dia da bicicleta", quando ele experimentou delírios caleidoscópicos ao pedalar até em casa. O LSD teria surgido das pesquisas da CIA para criar armas de controle mental e foi aplicado na psiquiatria. Mas ganhou fama entre os anos 60 e 70. O cantor Tim Maia, após viagem a Londres, nos anos 70, foi visitar a Philips (sua gravadora na época) para oferecer ácido a todos: "Isto aqui é um LSD, que vai abrir sua cabeça, melhorar a sua vida, fazer de você uma pessoa feliz", conta o jornalista Nelson Motta, no livro Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia. Também nessa época, o tráfico começou a se profissionalizar. No presídio da ilha Grande (RJ), militantes políticos e presos comuns trocaram experiências sobre táticas de luta, o que teria contribuído para a criação das atuais facções do narcotráfico. Desde então, o Brasil viu o avanço do ecstasy, a droga das raves da classe média, e do crack, a pedra dos meninos de rua de São Paulo. Mas a verdade é que, por razões existenciais, religiosas, de mercado ou de poder, a humanidade nunca deixou de conviver com as drogas.

Combate internacional
As medidas de controle começaram com o ópio, na China

O primeiro acordo internacional sobre drogas é de 1909, após a Comissão do Ópio de Xangai, e proibiu o ópio, pivô da primeira e da segunda Guerra do Ópio (1839-1842 e 1850-1860), entre britânicos e chineses. Os ingleses haviam introduzido a droga ilegalmente na China para pressionar pela compra de produtos ocidentais. Mas a Convenção de Drogas e Narcóticos das Nações Unidas, de 1961, assinada hoje por todos os países da ONU, foi o primeiro consenso mundial de que substâncias psicoativas deveriam ser coibidas, por causar dependência e danos à saúde. Este mês, 100 anos depois do acordo do ópio, acontece a Reunião Especial sobre Drogas da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Viena.

Saiba mais

LIVROS

Pequena Enciclopédia da História das Drogas e Bebidas: Histórias e Curiosidades sobre as Mais Variadas Drogas e Bebidas, Henrique Carneiro, Campus/Elsevier, 2005
Cerca de 140 verbetes sobre diferentes substâncias psicoativas, enfocando seu significado cultural e simbólico ao longo da História.

Cocaína: Literatura e Outros Companheiros de Ilusão, Beatriz Rezende (org.), Casa da Palavra, 2006
Textos literários que mostram a evolução do pó da inspiração boêmia às páginas policiais.

SITE

www.neip.info/

Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos, reúne pesquisadores de vários centros universitários, teses e bibliografia sobre o tema.